SP: Como se sabe, lesionaste-te recentemente numa sessão de surf antes do teu heat do 3º round no Relentless Boardmasters Pro, em Newquay. O que aconteceu exactamente?
RG: Foi numa sessão de free surf logo às 8 da manhã, em que estava a treinar um pouco antes de entrar em competição. Já estávamos no quarto dia de prova, eu já estava na terceira fase, as ondas estavam com um certo tamanho, 1m/1,5m. Pus-me dentro de um tubo bom e comprido mas, ao sair, embrulhei-me com a prancha. E aí penso que levei com o tail (não tenho a certeza se foi com o tail ou com a quilha) na zona lombar, nos chamados sacroilíacos. Foi uma grande tacada. Mais tarde foi-me diagnosticada uma contusão no músculo, um pequeno trauma, o que fez com que eu não continuasse na prova e ficasse estas três semanas parado.
SP: Para quando é que se prevê que estejas totalmente recuperado?
RG: Penso que para a semana já poderei fazer surf. Segunda ou terça-feira já vou poder ir para dentro de água. Tenho andado a ser seguido pelo fisioterapeuta Nuno Morais, que me tem ajudado bastante na recuperação, e penso que para a semana já estarei apto a ir para dentro de água e fazer os meus treinos normais. Tenho vindo a melhorar bastante, já sinto muito pouca dor. Mas é melhor não ir já para dentro de água, não ter muita pressa de ir surfar, porque depois é capaz de andar tudo para trás e voltar ao mesmo.
SP: Como tem sido esse trabalho com o Nuno Morais?
RG: Eu já estava a fazer um trabalho de preparação física com o Nuno duas ou três semanas antes de ir para Inglaterra. Ele é que me diagnosticou, praticamente. Receitou-me um anti-inflamatório e também um relaxante muscular. Depois, como a dor era muito grande cada vez que ele me tocava, quisemos ir mais fundo e ainda fiz um raio-X para ver se havia alguma fractura ou alguma pequena fissura num dos ossos ou na costela, mas não. Percebemos que a lesão era só muscular e aí ele disse-me para estar em repouso total e para continuar com o anti-inflamatório nos primeiros seis ou sete dias. Depois, para a recuperação ser mais rápida, disponibilizou-se para fazermos um trabalho a nível de fisioterapia, ou seja, passar aqueles lasers nas costas, aplicar aqueles choques no músculo, para que este vá recuperando mais rapidamente. Tenho feito isto todos os dias e tenho melhorado bastante graças ao trabalho que ele está a fazer comigo, sem dúvida.
SP: Face aos teus objectivos iniciais, e tendo em conta os "azares" que te têm batido à porta, como perspectivas o resto do ano?
RG: Sem dúvida que até agora os resultados não foram os melhores, sendo que também nunca tinha feito isto antes, portanto, isto tudo é um pouco novo para mim. Mas acho que o facto de ter tido este percalço logo quando estava a tirar um bom resultado naquela prova está a dar-me imensa força para continuar até ao fim do ano e ir com muita força para as próximas provas, à espera de bons resultados. O facto de eu me ter lesionado não me afectou grande coisa. Apesar de as coisas até agora não estarem a correr da melhor maneira, ou da maneira que eu esperava, acho que mais tarde ou mais cedo vai vir.
SP: Não houve, então, nenhum abalo na tua motivação? Sentes-te mais forte, mais motivado?
RG: É claro que na altura senti-me um pouco em baixo, triste. Realmente não estava nada à espera que isto fosse acontecer. Ainda por cima estava a ter o meu melhor resultado até à data. Mas sinto que isto não me está a afectar nada. Logicamente pensei nas duas próximas etapas, que são bastante importantes e estão decorrer na Europa. Pensei que pudesse vir a tirar um bom resultado, já que estava numa boa forma física e estava a sentir-me muito bem comigo mesmo e estava a gostar de fazer o surf que estava a apresentar. É lógico que isso me ficou um bocado entalado, mas acho que não posso pensar nisso agora. Agora tenho é de pensar que tenho de ficar bem rapidamente para poder participar nas outras provas.